Triste realidade
Como todos os cidadãos conscientes
tenho acompanhado com apreensão o desenrolar dos últimos acontecimentos. Devido
à incúria dos que nos (des)governam, à sua inépcia ou declarada má-fé, chegamos
a um ponto crítico. É sempre possível ficar pior, mas creio que desde 1974
nunca estivemos tão próximos do fundo. Lá diz o ditado, casa roubada trancas à porta: com a sua indesmentível desfaçatez, os
responsáveis por este estado de coisas vêm agora tentar remendar o mal que
fizeram.
Como tal, anunciaram um orçamento
de estado para 2010 com coisas nunca vistas. Sem dúvida o orçamento mais
gravoso desde há décadas. É preciso, dizem eles, sempre apoiados pelos
defensores oficiais. E as consequências? E as responsabilidades? Quem tanto mal
fez, tem o seu lugarzinho garantido numa boa empresa, auferindo rendimentos
suficientes para sustentar umas 20 pessoas…
E nós? As instituições de
solidariedade estão a rebentar pelas costuras. Os noticiários não nos deixam
ignorar essa triste realidade. Para além dos costumeiros casos extremos, têm
vindo a surgir os casos da chamada classe média – será que isso existe em
Portugal? – pessoas que se vêem na situação constrangedora de ter de pedir
ajuda para se alimentarem. É sabido que a pior pobreza é a envergonhada e essas
pessoas, pedindo ajuda alimentar, ficariam muito mais felizes se lhes
arranjassem trabalho, meio de subsistência.
Ver noticiários nestes últimos dias
tem sido deprimente. A que triste estado se chegou! E entra-se no ciclo
vicioso, falta ânimo já ninguém tem energia para reagir.
Poderemos ainda descer mais baixo?
Claro que sim. Quem neles votou terá de os aguentar mas os outros, Senhor… e o
que mais me aborrece é que o Zé Povinho, intencionalmente imbecilizado, é capaz
de voltar a votar nos mesmos.
É urgente a acção cívica no sentido
de esclarecer, agitar consciências, acordar a massa letárgica para que as
pessoas larguem os atavismos que escravizam e tomem o seu destino nas mãos.


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