quinta-feira, novembro 05, 2015

Triste realidade




Como todos os cidadãos conscientes tenho acompanhado com apreensão o desenrolar dos últimos acontecimentos. Devido à incúria dos que nos (des)governam, à sua inépcia ou declarada má-fé, chegamos a um ponto crítico. É sempre possível ficar pior, mas creio que desde 1974 nunca estivemos tão próximos do fundo. Lá diz o ditado, casa roubada trancas à porta: com a sua indesmentível desfaçatez, os responsáveis por este estado de coisas vêm agora tentar remendar o mal que fizeram.

Como tal, anunciaram um orçamento de estado para 2010 com coisas nunca vistas. Sem dúvida o orçamento mais gravoso desde há décadas. É preciso, dizem eles, sempre apoiados pelos defensores oficiais. E as consequências? E as responsabilidades? Quem tanto mal fez, tem o seu lugarzinho garantido numa boa empresa, auferindo rendimentos suficientes para sustentar umas 20 pessoas…

E nós? As instituições de solidariedade estão a rebentar pelas costuras. Os noticiários não nos deixam ignorar essa triste realidade. Para além dos costumeiros casos extremos, têm vindo a surgir os casos da chamada classe média – será que isso existe em Portugal? – pessoas que se vêem na situação constrangedora de ter de pedir ajuda para se alimentarem. É sabido que a pior pobreza é a envergonhada e essas pessoas, pedindo ajuda alimentar, ficariam muito mais felizes se lhes arranjassem trabalho, meio de subsistência.

Ver noticiários nestes últimos dias tem sido deprimente. A que triste estado se chegou! E entra-se no ciclo vicioso, falta ânimo já ninguém tem energia para reagir.

Poderemos ainda descer mais baixo? Claro que sim. Quem neles votou terá de os aguentar mas os outros, Senhor… e o que mais me aborrece é que o Zé Povinho, intencionalmente imbecilizado, é capaz de voltar a votar nos mesmos.

É urgente a acção cívica no sentido de esclarecer, agitar consciências, acordar a massa letárgica para que as pessoas larguem os atavismos que escravizam e tomem o seu destino nas mãos.