Causas e casos
Já neste
espaço defendi a monarquia como forma de regime. É, na minha perspectiva, a
solução para um país sem rumo, para assegurar a soberania e a identidade de
Portugal. Tal como acontece nos restantes campos da Polis também aqui há divergências: entre os monárquicos nem todos
pensamos de forma igual. E não falo de opções políticas entre liberalismo e
conservadorismo, entre social-democracia e democracia cristã. Falo das divisões
que infelizmente fazem com que os monárquicos portugueses não falem a uma só
voz, em defesa da restauração do regime modificado há quase 100 anos.
Gostaria
que os monárquicos se unissem, pugnando pelo regresso do Reino de Portugal; uma
vez restaurada a monarquia, poderíamos então optar pela forma de governo, já
que o Rei não governa. Mas as questões já começam a montante: que trono
restaurar? Quem o ocupará?
Habituados
a ver surgir nos meios de comunicação social a figura simpática de S. A. R. Dom
Duarte Pio, nele revemos a representação da Casa de Bragança, última dinastia
reinante. Para encontrarmos a linha dos Seus direitos teremos de ir a 1820, aos
tempos da revolução liberal, ao reinado de D. João VI e às lutas entre os seus
2 filhos. Algumas coisas são do conhecimento geral: Portugal viu-se dividido ao
meio, entre os apoiantes do constitucionalismo, personificado por Dom Pedro IV
e os apoiantes do absolutismo, personificado por Dom Miguel I. A causa liberal
acabou por vencer mas a clivagem nunca deixou de existir. Os anos passaram-se
mas houve sempre um número significativo de portugueses que não se revia em Dom Pedro IV nem na
sua sucessão, antes reconhecendo como legítimo monarca Dom Miguel I e como
legítima a sua sucessão, de que foi filho Dom Miguel II, neto Dom Duarte Nuno e
bisneto Dom Duarte Pio que é, assim, trineto de Dom João VI. Dom Miguel II teve
diversos filhos, sendo certo que por abdicação dos mais velhos, lhe sucedeu Dom
Duarte Nuno. Esta sucessão era possível à luz das regras de sucessão: Primeiro
varonia, depois primogenitura.
Entretanto,
a linha liberal – olhada como traidora pelos absolutistas – continuou no trono.
A Dom Pedro IV sucedeu Sua filha Dona Maria II, os seus 2 filhos Dom Pedro V e
Dom Luís I, o neto Dom Carlos I e o bisneto D. Manuel II. Dá-se a implantação
da república, Dom Manuel II casa-se já no exílio mas não tem filhos e põe-se a
questão: em quem deve recair a sucessão dinástica?
Fora de
Portugal há encontros entre Dom Manuel II e Dom Duarte Nuno, com vista à
solução do problema da sucessão; sem descendência de Dom Manuel II, o partido
mais forte era o de Dom Duarte Nuno. Falecido o último Rei, Dom Duarte Nuno
reuniu em si o reconhecimento mais ou menos expresso dos monárquicos de ambos
os quadrantes. A sua posição ganhou ainda mais força quando, pelo casamento,
reuniu os dois ramos desavindos. Com efeito, Dom Duarte Nuno (neto de Dom
Miguel I) casou-se com uma trineta de D. Pedro IV.
Há outros
pretendentes; uma alegada filha de S. M. El-Rei Dom Carlos I e o actual Duque
de Loulé, 6º neto de D. João VI. Uma, pela falta de provas de que seja
efectivamente quem diz que é, outro pela ligação tão longínqua ao sangue real,
dificilmente poderão sobrepor-se aos direitos inquestionáveis e inabaláveis de
S. A. R., Dom Duarte Pio, 24º Duque de Bragança, herdeiro do Trono de Portugal.


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